‘As famílias não vão ficar de braços cruzados’

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“Cuba não aguenta mais”, disse Jatniel Pérez, diretor do Seminário Carey de Cuba. Quatro dias depois das marchas massivas em solo cubano, muitos continuam detidos. Pérez disse que nunca viu algo parecido com este movimento nacional. 

Entre os detidos estão os dois pastores evangélicos de Matanzas, Yéremi Blanco Ramírez e Yarián Sierra, cuja detenção arbitrária pode durar até 14 dias, segundo o líder. A esposa de um deles denuncia “abusos, maus tratos e injustiça”. 

O procedimento normal é que a polícia mantenha os detidos durante 3 dias, mas com a manifestação do povo nas ruas, a informação é que os pastores permanecerão presos por duas semanas e isso viola muitas das leis cubanas. 

Pérez, que também é pastor do Centro Bíblico Crescer de Velasco, está realizando uma campanha para divulgar o caso dos pastores para que sejam libertados o mais breve possível. 

Isso porque as ameaças de repressão feitas pelo presidente Miguel Díaz-Canel se concretizaram através das prisões, que podem se transformar em longas penas para muitos. Ele teme que essa repressão aumente nos próximos dias. 

Regime comunista

Cuba é uma nação comunista, desde 1959, e o governo sempre buscou controlar a Igreja no país. Pastores, líderes religiosos e grupos cristãos que criticam o regime enfrentam detenção, sentenças de prisão e perseguição.

Pais cristãos que se opõem à educação controlada pelo Estado na escola também enfrentam sentenças de prisão por ensinarem os filhos em casa. Além disso, a ideologia secularista, apoiada por representantes do governo, tem se tornado mais influente. 

Pérez reforça a importância de orar pela situação, divulgar o que está acontecendo e espera que a pressão internacional da mídia e do mundo possa ajudar na libertação dos detidos.

Situação dos pastores presos

Ramírez e Sierra foram presos numa ala da prisão feminina. De acordo com o veículo de comunicação Protestante Digital, eles não receberam permissão nem mesmo para fazer uma ligação para a família. 

“Há rumores pelas ruas que eles podem ser condenados a cinco ou sete anos de prisão. É por isso que estamos tentando pressionar para que isso não aconteça e eles possam ser liberados”, disse Pérez durante uma entrevista.

O pastor conta que a situação das famílias é muito complicada no momento. “Ramirez tem três filhos, dois meninos e uma menina. Sierra tem um filho com problemas mentais. As duas famílias dependem deles, principalmente nessa fase de pandemia, para sustento, alimentação e remédios”, revelou.

Cuba
Pastor Jatniel Pérez, diretor do Seminário Carey, pede orações aos pastores presos. (Foto: Reprodução/Protestante Digital)

“Cuba não aguenta mais”

Pérez pede orações e alerta sobre algumas denominações em Cuba que estão jogando o jogo do governo, quando pedem a seus membros: “Senhores, não façam nada, vamos ter calma, vamos confiar no Senhor, não saiam”, lembrou. “Entendo que não devemos pegar em armas nem nada parecido, esse não é o apelo do crente. Mas entendo que Cuba não aguenta mais”, continuou.

“Eles cortam nossa energia de 6 a 8 horas por dia, não há remédios, não há comida. Pagamos cerca de 60 a 80 dólares por apenas três comprimidos de antibióticos. Mesmo assim, não devemos fazer guerra ou confrontos, mas precisamos de uma mudança porque não podemos continuar vivendo assim”, desabafou.

Ele também explica o motivo pelo qual poucos pastores falam sobre o que está acontecendo. “Assim que eles falam, o governo faz o que fez com os dois pastores em Matanzas”, apontou.

O povo cubano também tem enfrentado grandes dificuldades com a pandemia. “Muitas pessoas estão morrendo e os hospitais estão falindo”, compartilhou. Pérez acredita que ainda haverá mais repressão por parte do governo.

“Acredito que vão monitorar os vídeos das manifestações, vão prender mais pessoas e vão criminalizar quem participou. Haverá uma lição para todos. Eles vão reprimir o povo, para que isso não volte a acontecer. Mas, também acredito que haverá mais manifestações, porque se as prisões continuarem as famílias não vão ficar de braços cruzados. Se houver repressão governamental, haverá reação nas ruas”, concluiu.



Fonte: Guia-me

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