Como alcançar povos remotos na África? Pastores discutem os desafios do campo missionário

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Pregar o Evangelho para aldeias remotas exige preparo, disposição e obediência à grande comissão dada por Cristo, segundo o pastor Elias Caetano e o missionário Saulo Porto, entrevistados nesta terça-feira (11) durante uma live do Guiame.

Elias Caetano é presidente da Missão Mãos Estendidas (MME), que atua há mais de 20 anos em países como Moçambique, Malawi, Zimbábue e Zâmbia, capacitando pastores, missionários e líderes e atendendo a população carente. 

Pelo menos 350 igrejas vinculadas à missão estão espalhadas pelos quatro países africanos. 

Questionado sobre o motivo de ser tão difícil alcançar alguns povos distantes na África, Elias explica que uma das razões é a logística. “É evidente que hoje as coisas estão muito mais facilitadas, se comparado a 20 anos atrás. Em contextos ainda mais isolados, existem as questões tribais e até outras realidades a nível espiritual”, explica.

Saulo Porto, que é diretor de ensino da MME, lembra que o nome “remoto” não é à toa. “Há uma distância geográfica e também cultural. Quanto mais diferente é a cultura, leva-se mais tempo para entender determinado povo e estabelecer a forma correta de alcançá-lo”, observa.

Saulo lembra ainda que as aldeias remotas também são teologicamente distantes. “É preciso tanto preparo teológico para alcançar essas aldeias que, muitas vezes, igrejas que não tenham o coração de Deus possam pensar: por que vou me esforçar tanto para alcançar determinado grupo de 50 ou 100 famílias?”, afirma. “Essa distância está na própria visão da igreja”.

Para alcançar povos remotos, no entanto, é preciso preparo. “Se a pessoa não está preparada para algumas situações, em vez de colaborar, vai atrapalhar o processo”, lembra Elias. “Por causa de questões simples, a pessoa pode ser presa ou até sofrer consequências mais drásticas”.

Ter o entendimento da cultura também é essencial para uma missão eficaz. “Na maioria dessas aldeias, as mulheres comem sentadas no chão. Os solteiros não podem ficar sentados e os casados em pé. As mulheres se curvam ao cumprimentar. Há famílias onde o marido tem duas ou três esposas. São aspectos culturais que nos deparamos e precisamos ter sensibilidade”, orienta Saulo.

A África precisa do Reino de Deus

Diante de tantos desafios, qual a maior necessidade da África? Saulo acredita que é a pregação do Evangelho do Reino.

“Nós temos um processo de cristianização acontecendo, mas não de um discipulado. É fácil plantar uma igreja na África, mas esse é o processo de cristianização e não é transformador. O processo transformador é do discipulado, que basicamente é o Evangelho do Reino sendo aprofundado no coração do povo”, explica.

No entanto, Saulo observa que esse processo leva tempo. “Não é uma coisa que conseguimos em um ou cinco anos. Alguns estudiosos estimam que leve até 40 anos para haver uma mudança cultural”, afirma.

Elias também aponta como desafio a extensão e grande população espalhada pela África, que soma quase 1,4 bilhão de habitantes. “É um continente muito extenso e heterogêneo, onde há alguns países desenvolvidos e o restante em um contexto de extrema pobreza, com pessoas que não têm conhecimento algum sobre certos assuntos”, avalia.

Para ele, outro grande desafio é o treinamento e formação de pastores nativos. “Há muita coisa errada no meio dos ensinos, ou que ficam pela metade. É necessário um trabalho de paciência e longo prazo, é preciso pensar em décadas para ver uma transformação de fato”, destaca.

Esperança para o Malawi

Uma das aldeias remotas alcançadas pelo trabalho da MME é Hatone, na província de Chikwawa, na região sul do Malawi. Inicialmente, as crianças da região não tinham acesso a itens básicos como energia e água potável.

A situação se agravou ainda mais quando os pais de muitas delas foram mortos após um desastre natural, e a maioria ficou órfã. Através da MME, foi iniciado o Projeto Umodzi, que diariamente oferece comida, educação e o ensino da Palavra de Deus a mais de 100 crianças.

Na terça-feira passada (4), a realidade da aldeia de Hatone mudou ainda mais: foi inaugurado um poço artesiano que possibilitou, pela primeira vez, o acesso dos moradores da região à água potável.

“O impacto que vai ter para a aldeia é incrível, porque até aldeias vizinhas vão ser beneficiadas e isso servirá de testemunho”, afirma o pastor Elias.

Diante disso, Elias lembra a importância dos parceiros em projetos como o Umodzi. “Foram mais de 6 mil dólares para que aquele poço pudesse ser viabilizado. Como uma aldeia daquela poderia conseguir esse valor? Em regiões como aquela, muitos sobrevivem apenas do que plantam, sem ter acesso às finanças”, observa. 

“Os parceiros são muito importantes, porque trabalhamos em um contexto em que eles não tem condições de se autossustentar”, acrescenta.

Para doações e mais informações sobre o projeto Umodzi, entre em contato com o coordenador Marcos Corrêa:

WhatsApp: +55 11 96170-9559
E-mail: [email protected]



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