Cristão que morou 19 anos na Turquia foi proibido de voltar para casa após decisão judicial

Share on facebook
Share on twitter
Share on email
Share on whatsapp
Share on linkedin

“Infelizmente não posso deixar você passar”, disse o homem no balcão do aeroporto, ao explicar que o governo emitiu uma proibição permanente de reentrada contra David.

O canadense-americano chamado David Byle morou na Turquia durante 19 anos, junto com a esposa alemã, Ulrike e os cinco filhos. Ansioso para rever a família, depois de um mês separados, foi informado no aeroporto que não poderia colocar os pés na Turquia. “Nunca mais”.

 Essas palavras atingiram David com força. Ele sabia que sua família estava esperando por ele, a apenas alguns passos de distância, do outro lado da fronteira. Ele só queria voltar para casa.

Direito à liberdade de religião

Usando o pretexto de aplicar leis de imigração, consideradas vagas, o governo turco tem impedido evangelistas como David Byle de compartilhar o Evangelho com outras pessoas. 

Mas o cristão, barrado no aeroporto, acredita que todos devem ter o direito de ouvir sobre as boas novas que ele tem para compartilhar. Sendo assim, David disse que vai lutar pelo seu direito à liberdade religiosa.

O evangelista disse que compartilha o Evangelho com paixão. Ele segue esse chamado e não se importa com os obstáculos colocados em seu caminho. Nos anos 2000, ele começou seu trabalho missionário pregando nas ruas de Istambul, já que os turcos ocupam um lugar especial em seu coração.

Evangelizando com criatividade

Conforme o Christian Post, ele é muito experiente e chama a atenção de todos os pedestres, usando métodos criativos para contar a história de Jesus, desde fantoches e pantomimas [teatro com gestos] até o uso de ilustrações acompanhadas de parábolas. 

Quem ouve David pregar, fica ansioso para aprender mais sobre o que ele tem a compartilhar. Ao contrário do governo turco, que não reagiu com a mesma positividade.

“Quando eu falava da nossa fé nas ruas, as pessoas queriam saber mais e buscavam aprender. Elas ficavam sedentas das histórias de Jesus, porque não são histórias que você costuma ouvir nas ruas de Istambul”, contou David.

Porém, as autoridades nunca viram o trabalho do evangelista com bons olhos. “Eles queriam nos silenciar”, disse. Ao longo de sua carreira, David foi preso e interrogado várias vezes. Então, eles começaram a tentar deportá-lo. Apesar das dificuldades, sua fé permaneceu firme. 

Assista (em inglês):

Coragem é um dom que dá frutos

“Aprendi que o trabalho missionário requer, principalmente, duas coisas: coragem e criatividade”, pontuou. Para David, estes são dons que dão muitos frutos. 

Enquanto esteve na prisão, durante a noite, David continuava a compartilhar o evangelho com as pessoas ao seu redor. “Raramente, existem outros lugares onde as pessoas não têm nada além de tempo e ficam felizes em prestar atenção e ouvir sem distração”, explicou.

Em 2016, o homem que entregou a vida ao serviço missionário enfrentou uma injusta decisão de deportação. Disseram-lhe que deveria deixar a Turquia imediatamente. “Isso não foi um choque”, ele manifestou.

Desde 2007, o evangelista tem notado a hostilidade crescente das autoridades e a reação da polícia diante de suas exibições públicas sobre o cristianismo. E, por conhecer seus direitos, David contestou a lei diante de um tribunal.

Enfrentando a justiça humana

O tribunal concedeu uma liminar que lhe permitiu continuar pregando até a conclusão judicial do caso. Mas em outubro de 2018, a polícia prendeu David de novo, inesperadamente. Isso ocorreu apenas um dia após a libertação do pastor americano, Andrew Brunson, da custódia na Turquia. 

Disseram que ele tinha quinze dias para deixar o país. “Eles fizeram parecer que eu poderia simplesmente voltar, assim que seguisse esta ordem”, esclareceu. Foi apenas na fronteira do aeroporto que ele percebeu que o governo não tinha intenção de permitir seu retorno.

“Foi um grande golpe quando o policial olhou para mim e disse: ‘Você tem uma proibição de entrada permanente’. Eu pensei: Ah, então é isso”, compartilhou. As autoridades alegaram que David é uma ameaça à ordem e segurança públicas. 

Quando seu caso finalmente chegou à Suprema Corte da Turquia, eles o rejeitaram imediatamente, argumentando que, uma vez que David não estava mais no país, o caso era indiscutível. 

O evangelista e todos aqueles que o apoiaram, espiritual e financeiramente, foram injustamente discriminados.


David Byle pregando nas ruas. (Foto: Print do vídeo/ADF International)

“Ide e fazei discípulos”

“Muitas vezes, obedecer a Cristo pode resultar em processos judiciais ou lutar para abrir fronteiras injustamente fechadas”, ponderou David. 

O evangelista explica que é uma violação grave usar as leis de imigração como pretexto para interferir no direito fundamental de uma pessoa, de manifestar suas crenças religiosas.

O cristianismo tem sido sufocado na Turquia, país que ocupa o 25º lugar na Lista Mundial da Perseguição. O governo tem como alvo cristãos estrangeiros e chegou ao absurdo de banir os estrangeiros que são casados com cidadãos turcos — e que têm filhos com cidadania turca. 

A atmosfera de crescente nacionalismo deixa pouco espaço para qualquer um proclamar uma mensagem diferente, e os cristãos precisam tomar muito cuidado em compartilhar a fé com os outros, pois podem enfrentar sérias consequências.

O trabalho missionário de David foi a razão pela qual emitiram uma proibição de entrada contra ele. Eles fizeram isso ignorando o fato de que esse trabalho missionário é legal, tanto de acordo com a Convenção Europeia sobre Direitos Humanos quanto com a legislação nacional turca, que protegem a liberdade de religião. Isso inclui a liberdade de compartilhar sua fé em público.

Liberdade de religião em jogo

Mesmo que algumas pessoas não gostem do que David tem a dizer, é importante garantir que todos tenham o direito de falar livremente. A censura não leva à liberdade, mas à tirania.

Com o apoio da Alliance Defending Freedom (ADF), David apresentou o seu caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. “Ele tem um caso forte, mas não sabemos se seu caso terá sucesso”, disse Sofia Hoerder, Oficial de Comunicações da ADF.

Uma decisão positiva poderia beneficiar não apenas a família Byle, mas também a vida de 800 milhões de pessoas em 47 países diferentes. “É bom que David possa voltar para casa, porém o que está em jogo é muito mais que isso”, apontou Sofia. 

“Toda pessoa tem o direito de expressar e compartilhar livremente sua fé. Ninguém deve sofrer perseguição, prisão ou deportação por causa de suas crenças. Prisões, rejeição e adversidades podem fazer parte do risco assumido pelos missionários, mas eles precisam ter seus direitos humanos garantidos”, Sofia continuou.

“Sentimos saudades da Turquia, é a nossa casa”, disse David que precisou se mudar para a Alemanha com sua família, onde continua pregando o Evangelho.

“Aqui na Alemanha, as pessoas acreditam que a fé e a religião pertencem à esfera privada. Mesmo os crentes são extremamente cautelosos em compartilhar sua fé, por medo de dizer alguma coisa errada ou ofender alguém”, disse David.

“Creio ser um perigo quando perdemos a coragem de falar de Jesus com convicção. Não somos apenas chamados a pregar o evangelho, mas a proclamá-lo com ousadia. O medo não faz justiça ao nosso Deus. Ele quer que confiemos em seu grande poder para nos salvar”, concluiu David Byle.



Guia me

ÚLTIMOS POSTS

O Que Você Teria Feito?

Em fevereiro de 2015, o grupo terrorista ISIS decapitou 21 cristãos em uma praia na Líbia. A maioria deles eram trabalhadores migrantes egípcios que trabalhavam

Leia Mais »