‘É sua fé e intimidade com Ele’

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Em setembro de 2007, Valdelice Lima da Costa, na época com 30 anos, foi diagnosticada com leucemia em estágio avançado. A doença começou a se manifestar com manchas no corpo e com uma forte inflamação na garganta que não passava.

A costureira procurou um hospital de Fortaleza com febre alta, devido à inflamação na garganta. Ela disse ao G1 que, depois do nascimento da sua terceira filha, recebeu um encaminhamento para procurar um posto de saúde e tratar uma anemia.

“Eu já vinha, desde que eu tive a última filha e que eu saí do hospital, com encaminhamento para um posto de saúde porque eu já estava com anemia. E veio uma questão toda de cuidados, de depois voltar a trabalhar, e devido a todos os afazeres, eu fui deixando a saúde de lado. Até que eu comecei a ter uma infecção na garganta. Eu não ficava boa dessa infecção. Já tinha tomado vários tipos de antibióticos e não ficava boa, a febre não cedia. Aí foi quando eu procurei um hospital. Como eu já estava com manchas roxas no corpo, eles me encaminharam para um cardiologista”, explica.

Segundo Valdelice, durante a consulta com o cardiologista, foi solicitado um exame de sangue. O resultado deixou os médicos em alerta, pois já havia indícios da doença.

“Foi o cardiologista que pediu um hemograma [exame de sangue]. Aí em um simples hemograma foi descoberto. Descobri que eu estava com suspeita de leucemia. Aí me encaminharam para o Hemoce, e lá do Hemoce, me encaminharam para o HGF [Hosppital Geral de Fortaleza]. No dia que eu fui para o HGF, eu já fiquei internada. Já não deixaram mais eu vir para casa porque eu já tinha que receber sangue”, relata.

Diagnóstico de leucemia

Com o resultado do exame de sangue em mãos, os médicos que estavam tratando da saúde de Valdelice solicitaram novos exames para confirmar a suspeita de leucemia, ou descartar. Para a tristeza e preocupação da família, Valdelice foi diagnosticada com a doença.

“A minha mãe era quem estava comigo no dia que eu recebi o resultado. E antes de eu receber o resultado, na emergência do HGF, o médico já tinha chamado ela para falar com a assistente social, que a suspeita seria leucemia. Mas não tinha ainda o diagnóstico. Só depois de ter feito o biograma. Quando confirmaram ela estava comigo e faltou o chão […] A aflição dela foi tão grande em receber aquele resultado que antes era só uma dúvida, que eu tirei forças não sei de onde para reagir, para tentar pelo menos reagir sem entrar em pânico”, conta.

Abraçada pela família e por amigos, Valdelice começou as sessões de quimioterapia – o que avalia como um momento doloroso da sua vida.

“É um tratamento muito difícil, muito doloroso, e nessas horas a gente conta com a família e com os amigos, que foram muitos, muitos mesmo que chegaram junto em todos os tipos de afeto, e principalmente na doação de sangue, plaquetas. Tinha dia que eu recebia duas bolsas de sangue”.

Transplante de medula óssea

Depois do diagnóstico de leucemia, os médicos chamaram os irmãos de Valdelice para fazer exames de compatibilidade. Para renovar sua esperança e trazer alegria, duas irmãs dela foram compatíveis. Valnízia Costa foi quem doou medula e ajudou a salvar a vida da irmã.

O transplante foi realizado em janeiro de 2008 no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP). “Quando eu cheguei no interior de São Paulo, lá na cidade de Jaú, eu muito me admirei, porque tinham muitos casos. Fiquei numa casa de apoio onde tinha só pessoas que iam fazer o transplante e que já tinham feito”.

Em 2009, depois de já ter passado pelo transplante de medula óssea, Valdelice descobriu uma deficiência através de novos exames. A medula dela não estava produzindo hemácias. A costureira precisou retornar ao hospital em São Paulo para, novamente, a irmã ajudar a salvar sua vida.

“As células cancerígenas não apareceram mais na minha medula, mas eu fiquei com uma deficiência que a minha medula não fabricava as hemácias, que são os globos vermelhos. Aí eu tive que ir novamente para lá com a minha irmã e aí ela doou só células. Fiz de novo tipo um ‘retransplante’ e deu um reforço nessa medula”, explica.

A base é a fé

Depois disso, Valdelice se recuperou e hoje, diariamente, celebra a alegria de ter sobrevivido. Casada, seus dois filhos mais velhos, Jefferson Costa e Rebeca Costa são doadores de sangue e cadastrados para doação de medula óssea.

“A base da gente num momento como esse é a nossa fé. Independente de qualquer coisa que esteja acontecendo, tudo para você ali naquela hora desaba. Você está super bem, fazendo tudo que você pode fazer, e de repente você se vê em cima de um leito dependendo de doações de sangue, doações de plaquetas, dependendo que apareça um doador […] é Deus por você, e, aí, a sua fé, a sua intimidade com Deus, a sua experiência que você tem com Deus naquele momento é única. Você não vai esquecer nunca”, testemunha.



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