iniciativa gera debate no meio evangélico e pastores divergem

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A mais nova polêmica no meio evangélico envolve a criação de “cultos pet”, em que igrejas criam ambientes para que donos de animais de estimação possam levar seus bichinhos juntos à igreja.

Uma igreja de Goiânia anunciou a realização de um culto pet para animais de pequeno porte. O tema ganhou repercussão depois que o pastor André Valadão, da Lagoinha Orlando Church, na Flórida (EUA), respondeu à pergunta de um seguidor sobre o tema: “O que você acha de fazer um culto pet?”.

“Acho sensacional! O apóstolo Paulo falou o seguinte: vou fazer de tudo, para com todos, para de alguma forma eu conseguir ganhar alguns para Jesus. Esse culto aí vai ser bom pra cachorro, né?”, respondeu Valadão.

O tema virou motivo de debate. O pastor Renato Vargens não conteve sua indignação com o apoio de Valadão aos “cultos pet” e publicou um artigo afirmando que a declaração do colega pode levar a interpretações equivocadas a respeito das palavras do apóstolo Paulo.

“Não consigo imaginar Paulo organizando uma escola de samba gospel ou subindo num palco e cantando o pior tipo de funk. Ademais, não creio que o evangelho precise de subterfúgios de entretenimento para alcançar o pecador, porque Cristo é suficiente!”, argumentou Vargens.

O pastor da Igreja Cristã da Aliança, em Niterói (RJ), contextualizou a afirmação do apóstolo: “Essa frase de Paulo aponta para o fato de que ele sabia conversar com qualquer pessoa no nível de compreensão dela. Paulo sabia se adaptar ao público que o ouvia e, por isso, tinha sucesso quando pregava – o que é muito diferente de ‘secularizar’ o Evangelho ou de ferir o princípio regulador do culto”.

Culto é louvor a Deus

Outro que respondeu uma pergunta de seus seguidores nas redes sociais sobre os cultos pet foi o pastor Yago Martins, que propôs uma reflexão sobre o significado do ajuntamento dos fiéis na congregação:

“É errado você ter um pet? Não é. […] É errado você sair de casa com seu pet, ir passear com seu pet? Também não! Tem problema nenhum. É bom que os pets passeiam. Um culto que vai receber pets… Posso passear com meu pet num shopping? Posso. Eu posso ir passear com meu pet para um culto? Por si só, pelo significado que envolve ter um pet, e levar o pet para os lugares, mal nenhum”, introduziu.

“O que é um culto? O culto é uma reunião do povo de Deus para o louvor do nome de Deus, para que nós possamos engrandecer Seu nome através de músicas, louvores, oração, através da pregação da Palavra, onde Deus fala conosco e nos exorta. Animais não são participantes disso”, argumentou.

A motivação de levar animais de estimação para essas reuniões foi um dos aspectos avaliados por Yago Martins: “Por que eu vou levar meu pet para um culto, se a única coisa que vai acontecer é ele atrapalhar o louvor a Deus? Atrapalhar porque ele vai estar latindo, dando trabalho, correndo para lá e para cá, tem que prender na coleira…”.

“Estou adicionando distração ao culto a Deus. Isso parece ser meio esquisito. O pet não pode ficar em casa por algumas horas para eu cultuar ao Senhor? ‘Não, mas a ideia do culto pet é para abençoar o seu doguinho’. O seu doguinho não precisa ser abençoado pelo pastor, em um culto, para que você possa orar pela saúde do seu doguinho. Não faz mal, você ora. Mas o seu animal não é como você. Seu animal não tem uma alma eterna. […] Só quem possui uma alma eterna somos nós, seres humanos. Por isso só nós somos evangelizados, somos instruídos, discipulados, por isso congregamos como Igreja”, acrescentou.

A iniciativa da igreja de Goiânia foi classificada por Yago Martins como mero lazer: “Isso tem a mesma relevância […] do culto do skate. Vai vir todo mundo com skate. Vai ter um culto do cabo de guerra. Culto da blusa branca. É criar invencionice e adicionar entretenimento a algo que deveria ser um ajuntamento simples da Igreja em culto a Deus”.

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