Jogador que garantiu título para o São Paulo foi descoberto por pastora

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Neste domingo (23), o São Paulo levou a taça do Campeonato Paulista depois de quase nove anos, após vencer o Palmeiras por 2 a 0 na final. O gol que abriu o caminho para a vitória do time foi marcado pelo volante Luan, que teve sua carreira impulsionada por uma igreja evangélica.

“Glória a Deus! Obrigado Senhor, Tu és fiel”, celebrou Luan nas redes sociais após a vitória, acrescentando a hashtag: “Ele continua sendo Deus”.

Em 2007, a pastora Elaine organizou um torneio de futebol com as crianças do Morro Doce, bairro da Zona Oeste de São Paulo. Luan, na época com 7 anos, estava entre os participantes.

Elaine chamou um dos membros da igreja, Marcelo Félix dos Santos, para comandar as crianças, já que ele também era dono de uma escolinha de futebol. “A pastora me falou que tinha um menino que jogava demais, para eu ficar de olho”, disse Félix ao ESPN.com.br.

Foi a pastora Elaine quem descobriu o talento do menino. Félix, seu “co-descobridor”, acabou se tornando empresário do jogador.

“Quando vi o Luan, eu na hora pedi para que a mãe dele, Dona Luzia, o levasse para treinar comigo, que eu ia dar a ele uma bolsa”, diz Félix. 

Sabendo do potencial de Luan, Félix o levou para o tradicional Pequeninos do Jóquei, quando tinha entre 9 e 10 anos. Lá, ele foi avistado por olheiros do São Paulo, onde foi aprovado para o sub-10 do clube.

A entrada de Luan no São Paulo foi motivo de esperança para sua família — desde cedo, o menino convivia com a criminalidade no Morro Doce. Muitos de seus amigos e conhecidos acabaram presos ou até mesmo mortos.

“Até hoje, eu falo para ele ter cuidado com quem se aproxima dele. Sempre disse a ele, que quando ele virasse jogador, iriam aparecer vários amigos e parentes que ele nunca tinha visto”, conta Félix.

 
Luan com a taça do Campeonato Paulista de 2021. (Foto: Instagram/Luan)

O Morro Doce é um dos 23 bairros localizados no Anhanguera, subdistrito de Perus. Em 2017, ranking do jornal O Estado de S. Paulo apontou Perus como o 5º distrito com maior incidência de tráfico de drogas, e o 6º em número de homicídios.

“Desde pequeno, com medo de violência, a mãe dele já mandava ele e o irmão, Lucas, para passar os fins de semana com a minha família, no Jaraguá. Ele brincava com os meus filhos, tornou-se da família. Aliás, toda a família dele virou nossa família”, afirma Félix.

Aos 15 anos, Luan passou a morar no centro de formação do São Paulo, em Cotia. Com 18, ele estreou como profissional no clube. 

Hoje Luan mora na Barra Funda, próximo ao CT do São Paulo, mas não se esquece de suas origens. No começo da pandemia, ele voltou com seus familiares para distribuir 100 cestas básicas a membros de sua comunidade.

“Por isso, eu digo até hoje para ele ter cuidado. Mas no Morro Doce estão as raízes dele, e ele é um menino muito centrado”, diz Félix.



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