Jurados cristãos devem inocentar réus, mesmo cientes da culpa?

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A passagem do evangelho de João 8, em que Jesus inocenta a mulher adúltera, virou o centro de um debate sobre o papel do cristão ao participar de um júri no tribunal. A interpretação de que, mesmo com provas de culpa, cristãos devem inocentar o réu, foi refutada pelo pastor John Piper.

O assunto surgiu de uma pergunta de um ouvinte do podcast do pastor John Piper, com o relato de que um professor havia dito que “mesmo que um jurado cristão soubesse sem dúvida – com base em evidências – que um réu era culpado de um crime, o dever do cristão é passar adiante um veredicto de inocente”.

O argumento do professor, que não teve o nome mencionado, se baseava no texto dos versículos 1 a 11 do capítulo 8 de João: “Visto que Jesus não condenou a mulher culpada, também não devemos condenar criminosos culpados hoje”.

Piper então, decidiu fazer um resgate do contexto e do significado que Jesus transmitiu com sua postura no caso. Para ele, o evento era a maneira pela qual Jesus estava mostrando como a Igreja seria “distinta do Israel étnico, político e geográfico” e não seria “governada como um corpo político nacional, político e geográfico com leis civis regulando, por exemplo, pena de morte, do jeito que Israel era”.

“Em vez disso, a Igreja, o novo povo de Deus, não será uma realidade política, étnica ou geográfica, mas será governada pela lei de Cristo, que introduz mudanças significativas na lei de Moisés”, acrescentou o pastor.

Em seu raciocínio, o pastor deixou claro que não acreditava na passagem como uma recomendação aos cristãos selecionados para participar de um júri para absolver culpados, observando que o Novo Testamento estava cheio de ordens para que os governantes fizessem justiça aos malfeitores e que a Igreja fosse ordenada a disciplinar sobre os membros que pecam.

“Precisamos desesperadamente do Espírito Santo para nos guiar: quando deve o nosso testemunho de Cristo envolver dar a outra face? E quando deveria envolver bater em uma criança ou não, deixar um funcionário ir ou não, dar ao aluno um C em vez de A ou não, excomungar um cristão adúltero ou encontrar alguma outra maneira de movê-lo para a frente por agora, e encontrar um assassino culpado enquanto servia como jurado cristão?”, questionou, conforme informações do portal The Christian Post.

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