Lista Mundial da Perseguição: Mais de 360 milhões de cristãos são perseguidos no mundo

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Mais de 360 milhões de cristãos são perseguidos no mundo, de acordo com a Lista Mundial da Perseguição (LPM) 2022 da Missão Portas Abertas, divulgada nesta terça-feira (20). O relatório constatou um aumento de 20 milhões de crentes perseguidos em relação ao ano passado.

A pesquisa da Portas Abertas, realizada entre outubro de 2020 a setembro de 2021, registrou os níveis mais altos de perseguição em 29 anos, quando a primeira lista foi lançada. Hoje, um em cada sete cristãos em todo o mundo é perseguido.

Afeganistão ultrapassa Coreia do Norte e assume 1° lugar


Afeganistão: violência e pressão contra cristãos fez o país subir para a primeira posição na LMP22. (Foto: Portas Abertas Brasil).

Na classificação deste ano, o Afeganistão ultrapassou a Coreia do Norte e ficou em 1° lugar no ranking dos 50 países que mais perseguem os seguidores de Cristo. A violência contra a comunidade cristã no país aumentou, após a retomada do Talibã ao poder e agora, o Afeganistão é a nação mais perigosa do mundo para ser cristão.

“A ascensão do Afeganistão ao topo da Lista Mundial da Perseguição é profundamente preocupante”, disse Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil. Ele ponderou que a saída da Coreia do Norte do topo da classificação, onde permaneceu por 24 anos, não significa que a violência no país comunista diminuiu, pelo contrário, ela também aumentou em níveis extremos.

“É bom deixar claro que a Coreia do Norte continua com uma perseguição ao cristão em níveis extremos, mas o cenário atual do Afeganistão, fez com que os dois países se igualassem em violência, intolerância e perseguição aos cristãos”, explicou Cruz.

Violência e pressão crescente


Mapa da Perseguição 2022. (Imagem: Portas Abertas Brasil).

Os assassinatos de cristãos por sua fé aumentaram de 4.761 (LMP 2021) para 5.898 (LMP 2022). A África Subsaariana, e especialmente a Nigéria, são responsáveis pela maior parte deles.

O número total de igrejas atacadas também aumentou de 4.488 (LMP 2021) para 5.110 (LMP 2022) e as detenções e prisões aumentaram 44% (da LMP 2021) para 6.175, com 1.315 delas na Índia. 

Além da violência extrema, a pressão cotidiana, em formas sutis, sobre as comunidades cristãs também continuam aumentando. Como discriminação no trabalho, pressão familiar para renunciar à fé, ser colocado no final da fila de ajuda e remédios – principalmente durante a pandemia da Covid-19, burocracia impedindo o licenciamento de igrejas e muito mais.

Cuba na Lista 2022


A pressão e violência contra cristãos fez Cuba entrar no ranking dos países mais perseguidos. (Foto: Portas Abertas Brasil).

Há dois novos países na Lista 2022: Cuba e Níger. Cuba entrou no ranking devido ao aumento das medidas restritivas às igrejas que se posicionam contra a ideologia do governo comunista. 

As autoridades aproveitaram o contexto da pandemia para impedir atividades cristãs tanto na comunidade como na igreja. Os líderes cristãos foram monitorados, presos, tiveram propriedades confiscadas e foram extorquidos.

Já o Níger entrou na LMP 2022 como consequência do aumento da pressão familiar e social sobre os cristãos locais. No país, o islamismo é considerado uma herança étnica e aqueles que decidem deixar Maomé para seguir a Jesus enfrentam grande oposição. Os crentes também são alvos constantes de ataques de grupos extremistas islâmicos, como o Boko Haram.

Para Marco Cruz, o crescimento da hostilidade contra cristãos – em forma de ataques, prisões, sequestros, casamentos forçados –  é preocupante e pode afetar outros direitos humanos, além da liberdade religiosa. 

“Com grupos radicais islâmicos encorajados, nacionalismo ressurgente e a China desenvolvendo formas mais sofisticadas de perseguição digital, estamos entrando em uma nova era de diminuição dos direitos humanos. Com a liberdade religiosa fornecendo uma base para tantas outras liberdades, precisamos desesperadamente ver uma renovação do compromisso com a defesa dos direitos humanos em 2022 e um compromisso ainda maior da igreja livre da perseguição para com os nossos irmãos perseguidos”, concluiu Cruz.

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