O credo de um calvinista

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O erro do credo de Piper, e de todos os calvinistas, é pegar uma figura utilizada pelos profetas para fazer referencia aos filhos de Israel que rejeitaram a palavra de Deus, e aplica-la a todos os homens.


O credo de um calvinista

“Porventura por Deus falareis perversidade e por ele falareis mentiras?” (Jó 13.7).

Introdução

Os amigos de Jó eram catedráticos no conhecimento que possuíam de Deus. Bastou olharem para a condição de ignominia de Jó, para saírem em defesa de Deus e acusarem Jó de pecado.

As palavras dos amigos de Jó são recheadas de palavras elogiosas à retidão, justiça, grandeza, soberania, poder, santidade, etc., de Deus, atributos inegáveis da divindade, porém, estavam completamente equivocados.

Como rebater Elifaz, que disse:

“Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar. Porém eu buscaria a Deus; e a ele entregaria a minha causa. Ele faz coisas grandes e inescrutáveis, e maravilhas sem número.” (Jó 5.7-9).

O que foi dito acima é uma verdade insofismável, porém, Elifaz, como os seus outros dois amigos, eram homens sem conhecimento. Palavra elogiosas e que parecem exaltar a Deus e que descrevem a insignificância do homem não significa que são verdadeiras de fato.

“Sucedeu que, acabando o SENHOR de falar a Jó aquelas palavras, o SENHOR disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.” (Jó 42.7).

Neste artigo analisaremos uma confissão pessoal que consta em um site de cunho calvinista para verificar se, de fato, diz o que é reto acerca de Deus.

 

Discípulos de Cristo?

Analisaremos trechos de uma confissão que consta no site “Voltemos ao evangelho”, sob o título Dizer o que você crê é mais claro que dizer calvinista, do calvinista John Piper.

“Somos cristãos. Radicais, de sangue puro, impregnados de Bíblia, que promovem missões, ganham almas, amam a igreja, buscam a santidade, saboreiam a soberania, cheios da graça, de coração quebrantado, felizes seguidores do onipotente Cristo crucificado. Ao menos esse é o nosso compromisso imperfeito. Em outras palavras, somos calvinistas. Mas esse rótulo não chega nem perto da utilidade de dizer às pessoas no que você de fato acredita! Então esqueça o rótulo, se isso ajudar, e diga a elas claramente, sem evasão ou ambiguidade, no que você acredita a respeito da salvação. Se elas perguntarem: “Você é um calvinista?”, diga: “Você decide. Aqui está o que eu creio…”” John Piper, Dizer o que você crê é mais claro que dizer calvinista, disponível no portal < https://www.desiringgod.org/ > em inglês, e < https://voltemosaoevangelho.com/blog/calvinismo/ > em português.

Segundo Piper, ser calvinista é assumir um compromisso ‘imperfeito’ de ser cristão, radical, de sangue puro, impregnado de Bíblia, missionário, ganhador de almas, que amam a igreja, buscam santidade, se delicia com a soberania, pleno de graça, coração quebrantado e seguidores de Cristo.

Ser um discípulo de Jesus não possui relação alguma com o ser radical, de sangue puro, impregnado de Bíblia, missionário, ganhador de almas, que amam a igreja, buscam santidade. Os escribas e fariseus eram radicais ferrenhos, essencialmente de sangue puro por descenderem da carne e do sangue de Abraão, leitores e estudiosos da Bíblia, missionários e ganhadores de almas, tanto que percorriam terra e mar para fazerem prosélitos, amantes das sinagogas e que se posicionavam diante do povo como justos, perseguidores da santidade (Mateus 23.15 e 28 e 31).

Os elementos apresentados por Piper não tornam ninguém um seguidor de Jesus, principalmente porque Jesus não aceita alguém que tenha um compromisso imperfeito com Ele, pois o que Ele exige é obediência completa, sujeição plena.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6.24);

“Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.30).

Não basta ao homem tergiversar entre rompantes de orgulho e comiseração, como faz Piper, que se diz um radical de sangue puro e, ao mesmo tempo, alguém que tem um compromisso imperfeito. Os outros quesitos apresentados por Piper, que se diz deliciar com a soberania, pleno de graça, coração quebrantado e seguidor de Cristo, veremos no decorrer do artigo.

Mas, segundo as Escrituras, para ser um discípulo é imprescindível que se permaneça na palavra de Cristo, pois só assim é possível dar o fruto exigido. Nenhum dos quesitos apresentado por Piper coadunam com os elementos essenciais para alguém ser discípulo de Cristo, segundo evidenciou o evangelista João.

“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;” (João 8.31);

Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.” (João 15.8).

Para que os de fora possam compreender que alguém é um seguidor de Cristo, deve se ater em cuidar um do outro, assim como Cristo cuidou dos seus discípulos para que nenhum deles se perdessem.

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (João 13.35).

Mas, vejamos o que é ser um calvinista, ou nos ‘desvencilhando do rotulo’, no que Piper crê?

 

Corrupto, orgulhoso e rebelde

Antes de debruçarmos no ponto seguinte que Piper crê, vejamos esses versículos:

“E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.” (Romanos 5.16);

“Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15.21-22).

Um só homem pecou, e pela ofensa de Adão, veio o juízo e a morte alcançou todos os homens. Como todos os homens, judeus e gregos, morreram em Adão, é dito que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” (Romanos 3.23).

O motivo apresentado pelo apóstolo Paulo no verso 23, de Romanos 3, tem seu fundamento explicado no seguinte verso:

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” (Romanos 5.12).

Todos os homens, sem exceção, judeus e gentios, pecaram por causa de um homem, visto que, por Adão o pecado entrou no mundo, e pelo pecado, a morte que passou a todos. Em Adão, todos os seus descendentes, mesmo não tendo feito bem ou mal algum, se fizeram pecadores, portanto, corruptos, orgulhosos e rebeldes.

Mas, apesar dessa triste infortúnio que se abateu sobre toda humanidade, os judeus, por descenderem da carne de Abraão, e por má leitura da Escrituras, entenderem que eles eram a descendência prometida a Abraão, ignorando que a palavra da promessa dizia do Cristo, presumiam de si mesmo que não eram pecadores.

Todos os profetas, incluindo Moisés, afirmavam com todas as letras que os filhos de Israel eram pecadores, portanto, indignos de serem chamados filhos de Deus, mas mesmo assim, os religiosos judeus ignoravam essa verdade.

“Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é.” (Deuteronômio 32.5);

“Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um. Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus.” (Salmos 53.2-4).

Apesar do protesto das Escrituras, que tinham por alvo os judeus, eles consideravam que as Escrituras protestavam contra os gentios como os faltos de entendimento e que se desviaram de Deus, e se achavam justos porque tinham a lei e Abraão por pai.

Mas, essa é a verdade acerca da humanidade, inclusive dos judeus:

“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.” (Romanos 3.9-19).

Todos os versos da Antiga Aliança que o apóstolo Paulo citou apontavam para os judeus, embora também fosse a condição dos gentios, mas os judeus entendiam que dizia dos publicanos e pecadores gentios. Mas, se considerassem que tudo o que a lei diz, diz aos que estão debaixo da lei, ou seja, aos judeus, veriam que necessitavam da justiça de Deus para serem justificados.

Agora, voltemos a confissão de Piper, que apresenta três versículos para sustenta-la:

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2.14);

“POR esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi; Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,” (Efésios 3.1-4);

“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” (Romanos 8.7).

Assim crê Piper:

“Eu creio que sou tão espiritualmente corrupto, orgulhoso e rebelde que eu nunca conseguiria chegar à fé em Jesus sem a vitória misericordiosa de Deus sobre os últimos vestígios de minha rebelião. (1 Coríntios 2:14; Efésios 3:1-4; Romanos 8:7).” Idem.

Observe que novamente Piper tergiversa entre a ideia de que alcançou a dádiva de crer em Cristo e uma comiseração pessoal exacerbada. Ele se diz ‘tão espiritualmente corrupto, orgulhoso e rebelde’ por seus próprios atos e pensamentos, sendo que tal condição se abateu igualmente sobre todos os homens por um que pecou, Adão.

Percebe-se que Piper tentou importar para a sua confissão a fala do apóstolo Paulo, que disse:

“Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna. “ (1 Timóteo 1.15-16).

Como a morte é a mesma que se abateu sobre todos os homens, não há dentre os homens quem seja menor ou maior pecador, antes todos são igualmente pecadores, ou seja, aquém do padrão que Deus estabeleceu para o seu próprio propósito em Cristo.

Quando o apóstolo Paulo se coloca como o ‘principal’ dentre os pecadores, ele não estava se comparando aos demais pecadores, a ponto de afirmar ‘tão espiritualmente corrupto, orgulhoso e rebelde’, antes tinha em mente o fato de ter perseguido a igreja de Deus.

“A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade.” (1 Timóteo 1.13);

“Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava.” (Gálatas 1.13);

“Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus.” (1 Coríntios 15.9).

O apóstolo Paulo se declara como o principal pecador não por ser o ‘mais’ pecador, ou o ‘maior’ pecador, ou ‘tão’ pecador, e sim, por ser o de maior influência[1], pois quando Deus transformou o pecador de ‘maior influência’, estabeleceu o apóstolo Paulo como exemplo para os que haveriam de crer.

“Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu.” (Atos 26.5).

Os gentios são pecadores, mas os adjetivos mais fortes foram direcionados aos filhos de Israel, que são declarados mentirosos, bastardos, infiéis, adúlteros, assassinos, rebeldes, cegos, loucos, víboras, povo de Sodoma e Gomorra, etc.

Rebeldes fostes contra o SENHOR desde o dia em que vos conheci.” (Deuteronômio 9.24);

Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é. Recompensais assim ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?” (Deuteronômio 32.5-6);

“Ai, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra.” (Isaías 1.4 e 10);

“Depois eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração, por isso se esqueceram de mim. Serei, pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. Como ursa roubada dos seus filhos, os encontrarei, e lhes romperei as teias do seu coração, e como leão ali os devorarei; as feras do campo os despedaçarão. Para a tua perda, ó Israel, te rebelaste contra mim, a saber, contra o teu ajudador.” (Oséias 13.6-9).

Os calvinistas são mestres em utilizar predicativos que foram utilizados pelos profetas para descrever o povo de Israel para demonstrar exacerbada comiseração, como se fosse insuficiente, diante da mensagem do evangelho, se reconhecer pecador.

Ao dizer: ‘eu nunca conseguiria chegar à fé em Jesus sem a vitória misericordiosa de Deus’, Piper subtrai a glória de Deus, visto que a palavra de Deus é digna de toda aceitação.

“Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (1 Timóteo 1.15).

Temos duas imprecisões na fala de Piper.

Primeiro, o homem se achega a Cristo confiante que Ele é salvador quando crê no testemunho que Deus deu do seu Filho. O que conduz o homem ao Filho é o testemunho de Deus, de modo que, sem a mensagem do evangelho é impossível ao homem se achegar a Deus.

Como o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho é verdadeiro, crer em Cristo decorre única e exclusivamente da fidelidade e poder de Deus. O mérito de se crer em Cristo está única e exclusivamente em Deus, que na fundação providenciou salvação, prometeu e anunciou salvação poderosa na casa de Davi e na plenitude dos tempos a cumpriu.

Segundo, a misericórdia de Deus não está em o homem crer, mas em dar o seu Filho unigênito. Ao manifestar Cristo, a misericórdia de Deus se evidencia a todos os homens, e não a indivíduos específicos.

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” (Romanos 11.32).

Na fala de Piper, a misericórdia de Deus é concedida especificamente para alguns, sendo que Deus encerrou todos (judeus e gentios) debaixo do pecado, para igualmente demonstrar misericórdia a todos (judeus e gentios).

Já no Livro de Deuteronômio está estabelecido para que é a misericórdia divina: para os que O amam, ou seja, que guardam os seus mandamentos.

“Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos.” (Deuteronômio 7.9).

Deus não mudou, e permanece fiel a sua palavra, portanto, qualquer que O amar, crendo em Cristo, alcança a misericórdia divina.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” (1 João 5.3);

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” (João 14.21).

Deus não escolheu indivíduos para amar, antes Ele deu um mandamento para os homens obedecerem. Quem obedece ao mandamento de Deus ama, ou seja, se fez servo, amigo de Deus.

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.” (1 João 3.23).

 

Soberania e presciência

Piper evidencia que não há diferença entre a proposta calvinista e arminianista, quando diz:

“Eu creio que Deus me escolheu para ser seu filho antes da fundação do mundo com base em nada do que há em mim, sendo pela presciência ou outra coisa. (Efésios 1:4-6; Atos 13:48; Romanos 8:29-30; 11:5-7).” Idem.

Na teologia é comum os doutores apresentarem o calvinismo e o arminianismo em polos opostos, porém, quando se analisa a fundo os dois posicionamentos, vê-se que Armínio bebeu na mesma fonte de Calvino, sendo certo que ambos sistemas doutrinários afirmaram que Deus escolhe e predestina alguns homens a salvação.

O equívoco de ambos os sistemas está em afirmarem que Deus escolhe e predestina homens a salvação, e diferem somente quanto a justificativa que apresentam: os calvinistas apontam a soberania de Deus, e os arminianistas, por sua vez, apontam a presciência.

Piper é tão radical que, ao confessar, não vê empecilho em pular o muro que os calvinistas alardeiam ser intransponível.

Piper se sente à vontade pra citar quatro passagens bíblicas ao afirmar que foi escolhido para ser filho de Deus antes da fundação do mundo Essa confissão não passa de presunção, pois o apóstolo Paulo claramente diz que os cristãos foram escolhidos em Cristo para serem santos e irrepreensíveis.

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado,” (Efésios 1.4-6).

O apóstolo Paulo no verso 4 de Efésios faz referencia a uma coletividade eleita em Cristo, e não de indivíduos em particular. Os cristãos, essencialmente a igreja, foram eleitos em Cristo, pois somente Cristo é pré-existente, e em Cristo o seu corpo foi eleito.

Deus elegeu em Cristo uma geração, e não indivíduos, como professa Piper.

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2.9).

Como a cabeça é santa, o corpo também é, por isso a igreja é eleita para ser santa e irrepreensível diante de Deus.

“E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;” (Colossenses 2.10).

Os filhos de Deus são filhos porque creram em Cristo Jesus através do evangelho, e não porque foram eleitos para serem filhos.

“Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” (Gálatas 3.26).

Ao citar Atos 13, verso 48, Piper tenta arrumar bases para a sua crença.

“E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” (Atos 13.48).

Mas, analisando o verso 13, dentro do seu contexto, temos:

“E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios; Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, A fim de que sejas para salvação até os confins da terra. E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” (Atos 13.44-48).

Observe que, na narrativa, os judeus contrapunham a mensagem do evangelho anunciada pelo apóstolo Paulo e por Barnabé. E o apóstolo Paulo, por sua vez, contra-argumenta demonstrando que era necessário que Cristo fosse anunciado primeiramente aos judeus, conforme dito pelo evangelista João e em consonância com o que Jesus disse:

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (João 1.12).

“E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 15.24).

Os versos acima tem um motivo:

“Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mateus 20.16).

Anunciado de antemão pelos profetas:

“Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.” (Romanos 10.21).

Por causa da rebeldia dos filhos de Israel, que foram após outros deuses, Deus pôs em ciúmes os judeus com os gentios, sendo que os judeus não acharam Aquele a quem buscavam, pois Deus escondeu deles o seu rosto (Deuteronômio 31.18), porém, se manifestou aos gentios, que não perguntavam pelo Deus de Abraão e nem O buscavam.

“Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, com gente insensata vos provocarei à ira. E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam.” (Romanos 10.19-20).

Como os judeus rejeitaram o Cristo crucificando-O, e continuaram a rejeitar a mensagem do evangelho, o apóstolo dos gentios deixa claro que eles rejeitaram a palavra de Deus, ou seja, eles se excluíram da vida eterna que há em Cristo por incredulidade. Em momento algum o apóstolo Paulo diz que eles estavam destinados a danação eterna, antes que rejeitaram a palavra de Deus.

Por causa da atitude dos judeus, o apóstolo Paulo sinaliza que deixará de anunciar o evangelho aos judeus, e passará a anunciar o evangelho aos gentios, pois ele entendeu, pelos profetas, que essa era a ordem de Deus, e cita o profeta Isaías:

“Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” (Isaías 49.6).

Os gentios que estavam no local, ao ouvirem o anunciado por Isaías, se alegraram e glorificaram a Deus e creram aqueles (ὅσοι – quem quer que, quanto, todos) que são (ἦσαν – ser, existir, se faz presente) designados (τεταγμένοι – colocar em uma determinada ordem, organizar, designar um lugar, apontar) para a vida eterna.

Quem Deus ‘designou’ para a vida eterna? Aqueles que creram, ou seja, os crentes! Por que? Porque aprouve a Deus salvar os crentes, ou seja, os que creem, pela ‘loucura’ da pregação. Para os que creem a loucura da pregação é poder de Deus para salvação, ou seja, é através do evangelho que Deus salva o homem, e não por meio de uma escolha unilateral.

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (1 Coríntios 1.21);

Quem está ‘ordenado’ para a vida eterna? Os crentes, que pode ser qualquer indivíduo, que, ao ouvir o evangelho e crer, será salvo. Aprouve a Deus salvar os crentes, e não um indivíduo específico, e o meio utilizado para salvar é a ‘loucura da pregação’, ou seja, o evangelho, e não a soberania.

Se fosse pela soberania divina a salvação, o apóstolo Paulo teria escrito: ‘aprouve a Deus salvar alguns homens pela sua soberania’, mas ele afirma que aprouve a Deus salvar os que creem.

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1.18).

O termo traduzido por ‘ordenado’ tem suas bases nas instituições militares, que é: ‘elaborar em ordem, organizar, atribuir, nomear, ordenar’, e Deus ordenou os crentes, os obedientes ao seu mandamento para a vida eterna. Isto significa que quem é obediente está ordenado, e não que Deus escolheu alguns para serem salvos.

O texto fala de uma coletividade que ouviu e se regozijou, e todos dessa coletividade que creram estavam designados para salvação, o que é muito diferente da ideia de uma escolha de alguns indivíduos para serem salvos.

A doutrina calvinista trabalha como termo ‘alguns’ indivíduos serão salvos, pois para eles somente os eleitos (todos) serão salvos. O evangelho trabalha como termo ‘todos’, pois todos os que creem estão ordenados a salvação.

Outro erro de Piper ao citar Romanos 8, versos 29 e 30, para afirmar que foi escolhido na eternidade para ser filho de Deus, é que o texto paulino aborda a questão de qual imagem terá os filhos de Deus, e não da salvação dos filhos de Deus.

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8.29).

Como os descendentes de Adão tem a imagem de Adão, os descendentes da semente incorruptível terão a imagem do último Adão, Cristo. O apóstolo está tratando de como os cristãos haverão de ser, e não de como se dá a salvação.

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” (1 João 3.2);

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.” (1 Coríntios 15.47-49).

Por que é necessário aos cristãos terem a imagem do homem celestial? Para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos. A abordagem do apóstolo Paulo é com relação a preeminência de Cristo em tudo, e os calvinistas, equivocadamente, apontam para a soberania divina.

 

A morte de Jesus Cristo

Nessa abordagem de Piper há duas imprecisões terminológicas:

“Eu creio que Cristo morreu como um substituto dos pecadores para prover uma genuína oferta de salvação para todos os povos, e que ele tinha um invencível desígnio em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembleia de todos os que creem, cujos nomes foram eternamente escritos no livro do Cordeiro que foi imolado. (João 3:16; João 10:15; Efésios 5:25; Apocalipse 13:8).” Idem.

Cristo Jesus é cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, e na plenitude dos tempos, Jesus morreu e garantiu salvação para todas as famílias da terra, conforme Deus havia prometido a Abraão.

A Bíblia, no entanto, demonstra que Jesus morreu em obediência ao Pai, para haver uma substituição de ato, obediência pela desobediência. Aprouve a Deus fazê-lo enfermar (Isaías 53.10).

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” (Romanos 5.18).

Cristo morreu na cruz para que os pecadores fosse livres de morrerem uma morte física, e nesse ato substituiu os pecadores, como era a sorte que recaia sobre o bode pelo Senhor, diferentemente do bode emissário.

“E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para holocausto. Depois Arão oferecerá o novilho da expiação, que será para ele; e fará expiação por si e pela sua casa. Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o SENHOR, à porta da tenda da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo SENHOR, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo SENHOR, e o oferecerá para expiação do pecado. Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o SENHOR, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário.” (Levítico 16.5-10).

Cristo morreu pelos pecadores, porém, cada qual deve tomar a sua cruz e morrer com Cristo, pois só após morrer com Cristo estará livre do pecado. A morte física Jesus substituiu, mas a morte com Cristo é personalíssima, pois sem morrer para o pecado o homem não está justificado.

Ao fazer referência ao Livro do Cordeiro, Piper introduz a ideia de que os predestinados a salvação têm o nome escrito no Livro da Vida antes da fundação do mundo[2].

Quando o evangelista João escreveu: “… cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo” (Apocalipse 17.8), suprimiu o nome do proprietário do Livro da vida, que é o Cordeiro. O texto lido de correta é: “… cujos nomes não estão escritos no livro da vida (do cordeiro que foi morto), desde a fundação do mundo” (Apocalipse 17.8), assim como consta no capítulo 13, verso 8: “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Ao dizer que o nome dos salvos foi escrito ‘eternamente’ no livro do cordeiro que foi imolado, pretende-se introduzir uma leitura espúria do que o evangelista João apresentou, pois no capítulo 13 é apresentado o proprietário do livro, e no capítulo 17, por economia de recursos escassos para a escrita e figura de estilo, suprimiu-se algo essencial a frase que é facilmente subtendido.

 

Cegueira espiritual

Nesse parágrafo a seguir, Piper, dentro do pensamento calvinista, comete mais algumas abominações, e comentaremos duas delas:

“Quando eu estava morto em meus delitos e cego para a beleza de Cristo, Deus me trouxe à vida, abriu os olhos do meu coração, me concedeu o dom de crer e me uniu a Jesus, com todos os benefícios do perdão, da justificação e da vida eterna. (Efésios 2:4-5; 2 Coríntios 4:6; Filipenses 2:29; Efésios 2:8-9; Atos 16:14; Efésios 1:7; Filipenses 3:9).” Idem.

Piper alega que Deus ‘me concedeu o dom de crer’, um tremendo equivoco, pois a fé que é dom de Deus diz do evangelho, a pregação da fé, e não da capacidade humana de acreditar em algo.

Ao dizer que Deus concede o ‘dom de crer’, percebe-se a má leitura que Piper fez de Efésios 2, verso 8:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2.8).

Cristo é o dom de Deus, a fé manifesta, por meio da qual o homem é salvo.

“Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar.” (Gálatas 3.23).

A confusão de Piper evidencia duas verdades acerca da sua crença:

  1. Não compreende as Escrituras;
  2. O fato de se sentir seguro não o torna salvo.

Deus concedeu em Cristo o dom da fé, o seja, a fidelidade de Deus se manifestou, e por ser digna de total aceitação, cabe ao homem crer na mensagem anunciada, obedecendo ao mandamento de Deus: crer no enviado de Deus.

É falácia o argumento de que, por estar morto em delitos e pecados, o homem está cego para a beleza de Cristo. O fato de homem estar morto no pecado não o torna cego, pois àqueles que estavam mortos (habitavam a região das trevas) viram uma grande luz.

“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” (Isaías 9.2).

O profeta Isaías deixa evidente que o fato de habitar na região da sombra da morte não afeta a visão, pois a luz de Cristo resplandeceu a todos os homens.

A ideia de que ao estar morto está cego é estapafúrdia, pois quem está morto no pecado, antes de alcançar vida em Cristo, precisa morrer. Se alguém morto precisa morrer, segue-se que está vivo para outro senhor e pode ver e ouvir.

O homem morto em delito e pecado está vivo para o pecado, por isso precisa morrer para o pecado, para ressurgir um novo homem vivo para Deus e morto para o pecado. A doutrina de Piper não considera estas questões acerca da necessidade de morrer quem está morto para alcançar vida.

“Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” (Colossenses 3.3).

A morte apontada pelo apóstolo Paulo no verso 3, de Colossenses 3, decorre de ter sido crucificado com Cristo, diferente da morte herdada de Adão, pois é certo que se um morreu, todos morreram. Se é possível um morto morrer, certo é que é possível ver e ouvir.

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.” (2 Coríntios 5.14).

O erro de Piper, e de todos os calvinistas, é pegar uma figura utilizada pelos profetas para fazer referencia aos filhos de Israel que rejeitaram a palavra de Deus, e aplica-la a todos os homens.

“Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver.” (Isaías 42.18).

A figura de ‘surdez’ e ‘cegueira’ tem por alvo o povo de Israel, visto que podiam ver e ouvir, mas não obedeciam.

“Tu vês muitas coisas, mas não as guardas; ainda que tenhas os ouvidos abertos, nada ouves.” (Isaías 42.20).

Uma figura que se aplica aos filhos de Israel sendo aplicada aos gentios também, estabelece a confusão e confissão de Piper.

“Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos.” (Isaías 59.10).

“E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos.” (João 9.39).

Piper tem a mesma visão dos escribas e fariseus, que diz que vê e por isso é cego. Quão grande são essas trevas!

“Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! (Mateus 6.23);

“Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.” (João 9.41).

 

Deus é fiel

Piper completa a sua loucura dizendo que Deus é fiel, e por isso está externamente seguro, como se Deus fosse fiel a indivíduos, mesmo se contrariasse a sua própria palavra.

“Estou eternamente seguro não principalmente por causa de qualquer coisa que eu tenha feito no passado, mas decisivamente porque Deus é fiel para completar a obra que ele começou — sustentar minha fé, me livrar da apostasia e me afastar do pecado que leva à morte. (1 Coríntios 1:8-9; 1Tessalonicenses 5:23-24; Filipenses 1:6; 1Pedro 1:5; Judas 25; João 10:28-29; 1João 5:16). Chame do que quiser, esta é minha vida. Eu creio nisso porque eu vejo isso na Bíblia. E porque eu experimentei isso. Eterno louvor à grandeza da glória e da graça de Deus!” Idem.

A fala de Piper não é o que diz as Escrituras:

“Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.”  (2 Timóteo 2.11-13);

“Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?” (Romanos 3.3).

Pelo fato de Deus ser fiel a sua palavra, ou seja, não pode negar a si mesmo, caso o homem seja infiel e negue a Cristo, Ele também o negará.

“Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.” (1 Samuel 2.30).

Além de se equivocar acerca da fidelidade de Deus, equivoca-se acerca do que Deus faz pelo homem, e do que o homem tem o dever de fazer.

A fidelidade de Deus é a causa de a humanidade ser salva, pois Ele prometeu a Abraão que todas as famílias da terra seriam benditas, e trouxe salvação poderosa na casa de Davi, ou seja, a ‘fé’ como fidelidade é inabalável.

A fidelidade de Deus é o motivo de o homem crer, e cabe ao homem perseverar crendo até o fim. A fé que Deus sutem é a fé pela qual o justo vive, ou seja, a sua palavra, e não que Deus sustem o homem crendo.

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” (Mateus 24.13).

Como não é Deus que sustem o homem crendo, a apostasia é uma possibilidade que o cristão deve afastar perseverando firme no evangelho.

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.” (Hebreus 3.12).

Deus é fiel porque enriqueceu os que creem com o testemunho de Cristo, o dom inefável de Deus aos homens, e por meio de Cristo o cristão é feito irrepreensível.

“Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento (Como o testemunho de Cristo foi mesmo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.” (1 Coríntios 1.5-9).

 

Conclusão

Assim como Piper, os amigos de Jó criam a suas maneiras, e um deles chegou a experimentar sensações e ouviu vozes em um sonho, porém, se a crença não tiver a verdade por base, não passa de um engano enraizado.

Como calvinista, Piper parece se posicionar como defensor de Deus ao falar de soberania, eleição e predestinação, mas assim como os amigos de Jó, fala perversidade e mentiras.

“Porventura por Deus falareis perversidade e por ele falareis mentiras?” (Jó 13.7).

 

[1] “4413 πρω τος protos superlativo contraído de 4253; TDNT – 6:865,965; adj 1) primeiro no tempo ou lugar 1a) em alguma sucessão de coisas ou pessoas 2) primeiro na posição 2a) influência, honra 2b) chefe 2c) principal 3) primeiro, no primeiro” Dicionário bíblico Strong.

[2] “a expressão desde a fundação do mundo não significa ‘começando lá e continuando até o último convertido’. Mas se refere a algo que estava concluindo quando Deus lançou os fundamentos da terra, antes de criar o primeiro homem” Gonçalves, Clovis, Quando o Livro da vida foi escrito? < http://bereianos.blogspot.com/2013/04/quando-o-livro-da-vida-foi-escrito.html > Consulta realizada em 30/07/20.

Fonte: Estudo Biblico.org

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