Pastor gay funda igreja evangélica após “ouvir a voz de Deus”

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Um pastor evangélico brasileiro disse que se descobriu gay após realizar uma viagem aos Estados Unidos. Segundo ele, Deus revelou a ele que sua orientação sexual estaria com ele em qualquer lugar.

Marcos Gladstone revelou ao site Metrópoles que estava noivo de uma mulher, quando se deparou com um momento de descoberta. Em uma viagem que realizou a San Francisco, nos Estados Unidos, viu casais gays de mãos dadas, se beijando, e segundo ele, “mexeu demais comigo”.

“Ouvi a voz de Deus, revelando que a minha orientação sexual estaria comigo em qualquer lugar, onde quer que eu fosse. San Francisco mudou a minha vida. É a Meca dos gays, uma espécie de terra sagrada, onde eu me descobri”, disse ele.

Após a revelação e da ‘descoberta’, ele se separou da sua noiva, casou-se com um outro pastor e fundou a Igreja Contemporânea.

“Jesus disse: ‘A verdade vos libertará’. Foi o argumento que usei para dar um ponto final nas minhas dúvidas. Viver na mentira seria um pecado ainda maior diante de Deus”, disse o pastor.

O esposo do pastor, Fabio Inácio, também vivia um relacionamento com uma mulher, inclusive estavam noivos. Marcos e Fabio se casaram em 2009 e hoje já possuem quatro filhos adotados.

IGREJA E FAMÍLIA

O pastor conta que após se assumir, tem sido alvo de preconceito.

“Depois que eu me assumi, passei a ser atacado dentro da igreja, assim como a minha família. E aquilo se transformou numa missão pra mim. Pessoas de todas as orientações sexuais têm o direito de viver sua fé. Não existe cura gay, mas existe cura para a exclusão, para o preconceito, para o ódio”, ressaltou Gladstone ao Metrópoles.

Atualmente, a Igreja Contemporânea tem mais de 2 mil fiéis. No início da sua fundação era de 150 seguidores em um espaço no bairro boêmio da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Outras unidades da igreja surgiram em três estados: São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

Segundo Marcos, a ampliação da sua Igreja veio acompanhada por episódios de violência contra os pastores, seus fiéis e os templos, vandalizados em muitas ocasiões.

“A nossa unidade de Madureira (na zona norte do Rio), que fica muito perto de uma outra igreja, mais conservadora, foi atacada, pichada com dizeres bíblicos usados fora de contexto para atacar os integrantes homoafetivos. Tivemos que contratar seguranças para conter cristãos com ódio, pessoas usadas, muitas vezes politicamente, para atacar gays”, disse.

Sobre os filhos adotados, o casal procura ensiná-los sobre “as adversidades que podem encontrar pelo caminho”.

“Tentamos mostrar aos nossos filhos que eles precisam ser fortes para enfrentar possíveis situações mais constrangedoras, uma vez que isso, infelizmente, pode acontecer a qualquer momento”, diz disse o pastor.

O casal são pais de Felipe, adotado aos 6 anos, hoje com 17; Davison, acolhido aos 8, e que hoje tem 19; Hadassa, que chegou na família aos 3 meses e hoje tem 5 anos; e Esther, adotada aos 4 meses, hoje com 2 anos.

“O Livro Sagrado é usado, muitas vezes, de forma incorreta, atendendo aos desejos não cristãos de líderes que trabalham em benefício próprio. Tento mostrar que todos somos filhos de Deus, em nossa plenitude, merecedores de um lar, de família e de uma comunidade de fé”, finalizou o pastor Marcos.

Pastor Marcos, seu esposo e seus quatro filhos – Foto: Reprodução



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