Teremos de fugir para a floresta, diz pastor encurralado por militares em Mianmar

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Há 4 meses, Mianmar está sob tensão devido ao golpe militar que destitui a líder Aung San Suu Kyi, em fevereiro, colocando fim a uma década de governo civil.

A investida militar começou após a Liga Nacional para a Democracia, liderada por Suu Kyi, obter vitória esmagadora nas eleições gerais de novembro. Mas os militares alegaram que a eleição foi marcada por fraude.

Desde o golpe, a situação no país é de guerra civil, com ataques que já fizeram 802 vítimas fatais. A maioria das pessoas mortas eram manifestantes pacíficos alvejados pelas forças de segurança do Estado.

Em entrevista exclusiva ao Guiame, o Pr. Asaph relata que o avanço das forças militares pelo interior, onde ele pastoreia uma pequena igreja, leva terror aos moradores e aos cristãos.

“Estamos sendo cercados pelos militares e todos estão com muito medo”, conta.

As notícias atuais, segundo o pastor, dão conta de centenas de mortes, igrejas sendo invadidas e pastores levados presos. “Há guerra. Mais cedo ou mais tarde teremos que deixar nossa aldeia e ir em direção à floresta”, explica.

Asaph diz que não sabe quanto tempo ainda eles poderão ficar em suas casas. Ele conta que os cultos ainda estão acontecendo, mas isso enquanto os militares não chegam.

Ele falou sobre a dificuldade de obter alimentos e remédios depois do golpe. “Precisaremos fugir e a única coisa que levaremos para sobreviver será arroz”, diz Asaph.

“Essas são as notícias mais recentes aqui. Não sabemos o que vai acontecer a seguir”, diz o pastor, enquanto pede oração pelo seu país.

O mais recente atraque a igreja aconteceu na festa de Corpus Christi, quando os militares de Mianmar dispararam contra a Igreja Católica no estado de Kayah. Nenhuma vítima foi relatada, mas a igreja sofreu danos significativos. Várias casas próximas também foram danificadas durante o bombardeio, que começou nas primeiras horas da manhã.

O número de mortes de civis registrados em Mianmar, em pouco mais de 100 dias, é maior do que todos os outros conflitos no mundo este ano até agora, exceto na Etiópia e na Nigéria. Isso é mais do que Síria, Iêmen, Afeganistão e outros conflitos que muitas vezes chegam às manchetes.



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